Ativando o Modo Felina
Toda definição parte de uma comparação. Sei o que é bom porque conheço os parâmetros daquilo que é considerado o seu oposto: o que dizem ser mau e o que se distancia daquilo que reconheço como bom. Simples, porém complexo. Mas de onde vem a métrica que define esses conceitos? Quem estabelece os parâmetros pelos quais aprendemos a julgar a nós mesmos e aos outros?
Cresci ouvindo que meu cabelo era ruim e que precisava ser “domado”. Até os meus 27 anos, busquei diferentes maneiras de acabar com essa suposta “ruindade”. Só parei quando compreendi que não cabia naquela definição e que, a partir do lugar de onde ela vinha, pessoas como eu só encontravam dor.
Foi então que virei a chave e escolhi receber amor.
Muitas vezes, quando rompemos padrões e ousamos trilhar caminhos diferentes daqueles que nos foram impostos, o amor não vem de fora. Foi assim há mais de 14 anos, quando cortei todo o meu cabelo quimicamente alisado e permiti que ele crescesse em sua forma natural.
Disseram que não combinaria com a Dança do Ventre. Disseram que eu estava surtada por querer andar com o “cabelo duro”. Disseram que eu não aguentaria e que, em pouco tempo, voltaria correndo para o alisamento.
Ledo engano!
Naquele momento, ativei o que hoje chamo de “Modo Felina”.
As grandes felinas, com exceção das leoas, são caçadoras solitárias. Não precisam de alguém ao lado para lembrá-las de seu potencial ou incentivá-las a seguir. Elas agem porque confiam em suas capacidades e respondem à natureza que as constitui.
Também há momentos em nossas vidas em que precisamos despertar essa força. Momentos em que não haverá aplausos, incentivo ou acolhimento. Momentos em que precisaremos sustentar nossas escolhas mesmo diante da incompreensão alheia. Nessas horas, ou ativamos nosso “Modo Felina” e seguimos em frente, ou corremos o risco de permanecer estagnadas, esperando a autorização de alguém para sermos quem somos.
Os padrões impostos aos nossos corpos não são inocentes. Eles são construídos e reproduzidos de modo a alimentar a insegurança, o autodesprezo e a falta de aceitação. Ao nos convencerem de que há algo de errado em nós, afastam-nos de nossas potencialidades, de nossa essência e da possibilidade de existir plenamente em nossos próprios termos.
Por isso, reconheça sua grandeza. Questione as definições que lhe foram impostas. Liberte-se dos pesos que colocaram sobre você e sobre suas ancestrais. Você não precisa passar a vida tentando corrigir aquilo que nunca esteve errado.
Não abdique da sua beleza para caber em padrões que não foram feitos para acolher quem você é. Reivindique-a, celebre-a e permita-se vivê-la em seus próprios termos. Afinal, sua beleza não precisa da aprovação de ninguém para existir — e nela também reside uma parte essencial do seu poder!
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